Cidade: São Paulo
Dia: domingo
Tempo: sol entre nuvens
Temperatura: 38 graus em seu corpo
Ela: Ana Elisa
Idade: entre 30 e 31 anos
Sorriso: amarelo
Desejos: muitos
Realizados: poucos
Motivo: era por isso que estava ali
Ana Elisa sentou-se em um banco na praça. Um cachorro arfou
perto dela. Bonitinho até. Ela quis afagar o cão. Ele recuou. Ela olhou para o
lado em busca do dono. Não viu ninguém.
O vira-lata chegou mais perto. Mostrou os dentes. Ana Elisa,
por um segundo, pensou na arcada dentária, na sua própria. Lembrou que
precisava ir ao dentista. Sorriu para o cão. Ele recuou.
Ana Elisa cruzou as pernas. Dane-se. Se o cão não queria
nada com ela, ela também não iria querer nem amizade com ele. Olhou para o
horizonte, fingiu que o cão não estava ali.
Ele latiu uma vez. Ela entendeu o chamado. Tentou não olhar
para ele, mas seus olhares se cruzaram. Ele grunhiu. Ela também.
O cachorrinho se assustou com a reação dela. Ficou com o
rabo entre as pernas. Ela se sentiu poderosa. Descruzou as pernas. Abriu um
sorriso. Ele se aproximou dela.
Ela passou a mão em seus pelos macios. Ele deixou. Ela quis
abraçar o cão. Ele recuou.
Ele latiu mais uma vez e ela quis entender. Olhou para onde
ele olhava e viu uma pequena bola embaixo do banco. Pegou a bola. O cãozinho
abanou o rabo.
De repente, o cão ficou em estado de atenção.
- Grandão! Grandão! Fique onde está!
Maurício, ofegante, chegou perto do seu cachorro:
- Bom menino, achou a bola!
Ana Elisa olhou para Maurício. Bonitinho até. Ela quis
afagar o cara. Mas, ele recuou.